mixtape neonized dreaming
set feito pra tocar na night. pegou legal na pista no último dia 30, na No Hay Banda. Click play and start dancing.
set feito pra tocar na night. pegou legal na pista no último dia 30, na No Hay Banda. Click play and start dancing.

Incrível como a pitchfork é a dona da verdade na vida do hipster moderno. é só eles meterem um selo de best new music numa banda de black metal pra galera se dar ao trabalho de baixar o negócio e conhecer um pouco do som.
Wolves in the Throme Room - Subterranean Initiation
Que o black metal é, digamos, o lado do metal que inspira mais simpatia entre os hipsters não é lá uma novidade. Sunn O))), Boris, Jesu e Alcest, juntamente a toda uma galera ligada ao selo Southern Lord, costumam ser laureados com elogios de quando em quando no portal da hipsterlândia virtual. Talvez por que essas bandas tenham um apreço pelos drones de guitarra e teclados, e façam um tipo de ambient music obscuro, denso, quase cinemático, como fazem ou fizeram desde os 70 alguns grupos alemães e escandinavos.
Celestial Lineage, o quarto álbum da banda americana Wolves in The Throne Room, é mais um desses discos de metal hipster-friendly. Sem dar as costas às suas raízes cravadas no gélido metal nórdico, o grupo estende a paleta sônica a territórios menos inóspitos. Sintetizadores, orquestras, instrumentos medievais, um coral etéreo de vozes femininas: são vários os elementos que dão ao disco algumas passagens atmosféricas e psicodélicas entre as porradas de riffs e vozes ininteligíveis. O álbum tem umas pitadas de space-rock e de post-metal, que fornecem essa certa base de descontrução e pós-modernismo que os music geeks tanto adoram.
Wolves in the Throne Room - Astral Blood
Pra mim, ao menos, esse disco tá oferecendo uma opção um pouco mais desafiadora que outros lançamentos de black metal que conhecia. Não tanto quanto o estranho e perturbador Monoliths & Dimensions do Sunn O))), mas o suficiente pra fazer querer conhecer um pouco mais sobre o gênero e entendê-lo melhor. Trabalhos experimentais e desafiadores como esse fornecem um prato cheio aos ouvidos da meninada da Pitchfork, e não ajuda em nada o lema da metaleirada média de “let’s keep hipsters out of metal”.

Música pra começar bem a semana, na vibe “Tô botando tudo pro alto e vou reorganizar as partes uma a uma”. Essa é fresquinha, direto do ainda não lançado disco novo do francês Anthony Gonzalez, a.k.a. M83: Hurry Up, We’re Dreaming. A urgente e dançante “Reunion” tem uma levada de baixo bem pra frentex e uns cowbells bacanas que, creio eu, vão dar a música um modesto airplay pelas pistinhas indie modernetes pelos próximos meses. Até porque, mesmo sendo dançante, não é nenhuma ready for the floor song; os elementos que dão ao M83 um certo status de “compositor ideal pra trilhas sonoras do John Hughes” continuam, com todo o clima nostálgico, sonhador e oitentista que marca a obra do produtor. Tanto as guitarras com reverb acumulado, as camadas e camadas de sintetizador e as pontes cheias de echo e suaves vocais femininos que podem ser encontradas em várias de suas faixas continuam firmes e fortes, mas com uma certa pulsão e vigor que não é tão recorrente em sua discografia, mesmo em feel-good hits como Kim & Jessie. Neo-disco-gaze pra começar a semana (ai que novo nome esdrúxulo pra gênero musical, mas o-kaaay). Link ali abaixo:
Dia quente no meio do inverno. Isso pede algo hot pero no mucho, por que a noite continua fria. Então vou com essa coisa saborosa que é Bad Street, novo single do quarteto de indie pop Twin Sister. A banda se prepara para o lançamento de seu primeiro álbum em long play pela Domino, um dos principais selos independentes britånicos.
Bad Street tem uma coisa meio Stereolab à primeira vista, não só na voz quase falada da vocalista, mas na alternância entre riffs de guitarra e passagens diversas com sintetizadores. O clima é disco, dançante e envolvente.
yes, i got the jazz.
O novo álbum do trio britânico tá saindo na hora certa: no comecinho do verão europeu. Ouvir Pala é se sentir correndo na areia, mergulhando bêbado na água de roupa e tudo…
Essa aqui é a faixa de abertura do disco, que funciona como carta de intenções mesmo. A batida tem aquela pulsão do New Order de Technique e da onda acid house/balearic dos clubes europeus do início dos anos 90. Os sintetizadores acertam no tom, ao permanecer num território mais cool (seguindo os timbres usados pelo The Rapture no seu clássico Echoes) e os vocais são bem executados, com aquela melodia certa e pegajosa pra todo mundo cantar junto depois de três, quatro audições. É o summer record de 2011, ready for the floor:
Oldie but gold. Um dos primeiros singles da banda texana Pure X (que na época ainda se chamava Pure Ecstasy).
É uma faixa em câmera lenta, com percussão bem sutil e a guitarra executada dentro de uma nuvem de chapaceira, com muito wah-wah e reverb. Sossegadinha e psicodélica, lembrando o Pink Floyd do início dos anos 70.

SR. CHINARRO - LA PRIMERA ÓPERA ENVASADA AL VACIO (2001)
Sr. Chinarro é uma banda já veterana na cena indie espanhola. Formada em 1990 na província de Andalucia, já experimentou várias formações, mas todas com a liderança dos vocais roucos e densos do compositor Antonio Luque. A voz de Luque é o principal diferencial no som da banda, que em La Primera Ópera Envasada al Vacio se envereda em um território inóspito até então em sua discografia: o slowcore. Forte presença em outras bandas do país como Migala e Ursula, o gênero casou muito bem com a entrega vocal de Antonio Luque, e fez da experiência um dos discos definitivos do slowcore.
Em La Primera Ópera…, o tema central das letras é o encontro com o caos da vida adulta: Luque canta sobre entropia. A complexidade das dinâmicas no ritmo e o uso de orquestrações em quase todas as faixas marcam esse novo rumo da vida: a densidade e o peso de encontrar as incertezas e os medos da “independência” dentro da sociedade.
A diferença notável entre este e os discos anteriores do Sr. Chinarro evidencia uma espécie de conflito pessoal pelo qual Luque passava na composição de La Primera Ópera… É um resultado de mudanças, da vida em solidão, das rupturas e vícios que são trazidas e geradas com a depressão. Não é um álbum fácil, e assim como Sea Change do Beck (lançado na mesma época), explora o vazio existencial do artista.
Outro disco muito semelhante a este é Moon Pix da Cat Power, até mesmo na estrutura instrumental, já que a guitarra sem efeitos, a percussão ecoante e o uso de orquestrações lembra em muito a dinâmica do Dirty Three, trio que acompanhou Chan Marshall nas gravações do álbum citado. Mas, o que me leva a classificar La Primera Ópera… como um clássico é sua atmosfera opressiva, quase claustrofóbica. É uma das obras mais sombrias e geladas que conheço, e é quase cortante em sua continuidade, com as faixas se interlaçando numa espécie de estremecimento frio e num grito quase mudo da alma.
NOTA: 8.8/10.0
PRA QUEM GOSTA DE: Dirty Three, Low, Carissa’s Wierd, Arab Strap, Hood, Mogwai, The For Carnation, Rachel’s
DOWNLOAD: http://www.mediafire.com/?xzlmahaxe2j
A faixa 2 do último disco da banda do Brooklyn é um jangle pop com uma pitada de distorção shoegazer servido numa bandeja de fofura twee. Deu pra entender? (risos) Até o momento é minha favorita do ótimo Belong, lançado no mês passado, que é outra prova da genialidade pop do The Pains of Being Pure at Heart. O refrão é tão ensolarado que transmite aquela vibe boa de adolescência despreocupada ou de um amorzinho na fase inicial (hê). Totally pure at heart.
seção do Bababarulho onde deixarei fluir minha mania de listismos. Deixar claro que nenhuma lista é algo definitivo e oracular, é apenas um atestado de preferências pessoais, sem entrar em considerações mais gerais de uma verdade absoluta dentro da música pop.

1. Leonard Cohen - Dress Rehearsal Rag
Melhor música sobre suicídio já feita
2. Red House Painters - Medicine Bottle
Uma narrativa linda de Mark Kozelek sobre arrependimento e solidão após uma paixão mal resolvida
3. Nick Drake - Place To Be
Perfeita música da crise dos 20 e poucos anos
4. Beck - Lost Cause
A mais cruel letra de Beck Hansen. “No one laughing at your back now, No one’s standing at your door, That’s what you thought love was for”
5. Joy Division - New Dawn Fades
Todo mundo sabe que o Ian Curtis é mestre em letras tristes. Seu diferencial é na agressividade, que aparece (acho que talvez mais intensamente que em qualquer outra música) em New Dawn Fades.
6. Tindersticks - Raindrops
Stuart Staples canta com um liricismo belíssimo sobre relacionamentos que se arrastam com a iminência do fim. “Silence is here again tonight”
7. Antony & The Jonsons - Hope There’s Someone
Essa é pura depressão e forever alonice. Com a voz de Antony ainda, é impossível não ficar com vontade de chorar ao ouvi-la.
8. The Microphones - The Glow Pt. II
Phil Elvrum é um cara muito perdido, e nessa música ele mostra isso duma maneira ao mesmo tempo sutil e chocante.
9. Smog - Teenage Spaceship
Aquela típica música sobre nostalgia, sobre o “tempo perdido” da inocência juvenil. Só que, nas mãos de Bill Callahan, esse tema tão batido ganha uma pintura sublime que só um gênio sabe fazer.
10. Yo La Tengo - Damage
“The damage is done”. Simple as that.